Da sutil arte de se fazer ouvir mas não ver

Enviado por aarquivista, sex, 2017-09-22 22:27


Rio de Janeiro

{da introdução do texto}

"Cabe apreciar ao menos o que pode haver de insólito nessa situação: 13 indivíduos reunidos no dia 31 de julho de 2013 em um apartamento da rua Pereira da Silva, no bairro das Laranjeiras, para discutir a identida- de do que vinha sendo chamado até então de Agência Transitiva. Não era a primeira vez; e suponhamos aqui, também não a última.
Após três horas de conversa, estão todos espalhados pela sala, em cadei- ras e sofás, cansados porém atentos, ouvindo a gravação de sua última ‘ação’, executada dias antes na Matilha Cultural, em São Paulo.
Por ocasião de um debate sobre a ‘Estética da manifestação’, no qual pesquisadores e artistas foram convi- dados a expor suas impressões sobre a recente onda de agitação que tomou o país, a Agência fez-se ouvir, mas não ver, por uma diminuta plateia, através de um toca-discos portátil. Aos risos e expressões de surpresa dos presentes, com aquelas vinhetas populistas do Banco Safra de mais de duas décadas atrás, respondeu uma única frase, lançada ao nal da grava- ção, por um jovem da plateia: “Mano, se eu ouvisse isso naquela época, eu tacava fogo nesse banco!”  "
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{english version}
"
It is remarkable to appreciate what may be unusual about this situa- tion: 13 individuals gathered on July 31, 2013, in an apartment at Pereira da Silva street, in the neighbor- hood of Laranjeiras, to discuss the identity of what until then had been called Agência Transitiva [Transitive Agency]. It was not the rst, and supposedly also not the last time.
A er three hours of conversation, they are all spread around the living room on chairs and sofas, tired yet attentive, listening to the recording of their last ‘action’, which had been executed some days before at Matilha Cultural, in São Paulo.
On the occasion of a debate on the ‘Aesthetics of demonstration’, the Agência was heard, but not seen, by a tiny audience through a portable turntable. Researchers and artists had been invited to present their views on the recent waves of unrest that had taken over the country. e audience giggled and expressed surprise a er hearing those populist jingles by Banco Safra of more than two deca- des ago. A er listening to the record, a young man from the audience casted a single sentence in response: “Dude, if I’d heard that back then, I would’ve set this bank on re!”  "


2014


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